segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Bruxaria, Xamanismo e Tantra


Por Chandra Veeresha

Muito se fala nestas tres tradições sagradas, na atualidade. O que pouca gente conhece é a semelhança entre elas. Por isso, resolvi escrever este texto a fim de mostrar que muito embora tenham sim algumas divergências, na essência, são extremamente parecidas.
O Culto Arcaico da Deusa Mãe (também conhecido como Bruxaria Antiga) é provavelmente a mais antiga religião Ocidental, segundo pesquisadores. Se expressa através de imagens, tendo a natureza como a Grande Mãe. Cultua o sol, as águas, a lua, as pedras, o vento e o fogo que para lhes é sagrado e se expressa por meio de imagens. Cultua a vida e a morte.

É incrível a semelhança da antiga Bruxaria com o Xamanismo e também com o Tantra. Ao contrário do que pensam muitas pessoas, estas culturas são muito próximas. Todas tem como centro a deusa; a mulher; a fêmea. São todas culturas matriarcais. Todas são também ritualísticas e tem a natureza como principal palco para suas cerimônias.
Os ritos começam desde a organização do espaço sagrado, passando pelas suas vestimentas, alegorias, imagens e símbolos.

No xamanismo e na Bruxaria existe sempre a evocação das divindades e das Forças na Natureza ao se iniciar um Ritual. Eu mesma, quando inicio Rituais e Vivências Tântricas, costumo evocar toda Ancestralidade desta Egrégora (muito embora seja uma prática incomum nos dias de hoje, mas sinto a importância e faço- qualquer pessoa um pouco sensível nota a diferença quando as energias naturais são evocadas e respeitadas).
Os rituais são geralmente em círculos em ambas as culturas. No xamanismo temos a “Roda de Cura” ou “Roda Medicinal” e no Tantra o Chakra Puja em grupo que é também uma prática circular secreta (hoje em dia, nem tanto). Aliás, o círculo representa o Universo, sem começo e nem final, mas também representa a mulher, cujo corpo é naturalmente curvilíneo. O nu é bem visto e sagrado, pois se leva em conta que foi assim que nascemos. Sem máscaras.

Compartilha- se de alimentos, cantos, danças e bebidas nos rituais, mas as frutas são unânimes, pois possuem representação espiritual para todas as tres culturas, justamente porque são alimentos provenientes da terra.
A energia manipulada durante um ritual pode levar os participantes a transes e alterações de consciência. Para o Tantra a celebração é uma constante, dança-se, canta-se e entoam-se os mantram (sons de poder) que fazem entrar em êxtase e sentir esta união com o Todo. Na realidade para nenhuma dessas culturas, existe separação entre o homem e o Universo. O que há, nos dias de hoje, é um ressurgimento de ambas com uma linguagem um pouco diferente a fim de ajudar o homem a relembrar tudo isso, haja visto que com o advento do Cristianismo, durante milênios foi-se proibido declarar-se “bruxo, xamã ou tântrico”, bem como de expressar a religiosidade livremente, o que fez com que muita gente se esquecesse da sua ligação com o Divino e passasse a ver-se como algo separado do resto da Existência. Hoje ainda existem leis que nos proíbe de usar a palavra “cura” remetendo-nos ao curandeirismo, como se houvesse algo de errado em buscar o equilíbrio por meio de ervas, cantos, rezas e banhos!

A Grande Mãe é ao mesmo tempo “entidade” e “energia” como é também Kundalini Shakti para os tântricos, energia sustentadora da vida que se manifesta em tudo e é tida como deusa. O homem viril deve experimentar das águas dessa fonte feminina para despertar o poder das emoções, da intuição e do amor.

No Tantra, a principal representação de virilidade é o deus Shiva. Shiva representa a sacralização da sexualidade e a transmutação das energias. Mas apesar de uma divindade masculina, seu corpo é curvilíneo como de uma mulher, lembrando a importância da energia feminina na criação do homem. Afinal, é de um ventre feminino que sai o homem!

Na Bruxaria Antiga, o deus viril é o deus cornudo, correspondente tanto do Profano, quanto do Sagrado. Qualquer semelhança com (nosso) Deus Shiva não é mera coincidência! Se fossem homens ambos seriam uma espécie de homens “alfa”. Viris, fortes, poderosos, mas ao mesmo tempo, gentis e amorosos.

As tres tradições estão renascendo, com algumas mudanças (pois o mundo também mudou muito), mas o bom é saber que podemos falar em assuntos como rituais de amor, cura, ou fertilização sem correr o risco de sermos jogados nas fogueiras. E mais, perceber que tudo o que é Verdadeiro, se repete em vários cantos do mundo, recebe nomes diferentes e se adapta à cultura local, mas lá no íntimo é uma coisa só. A prova de que o "Todo" está em "Tudo".

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