sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O que é Tantra Universal?


A ANTIGA FORMA DE VIVER DOS POVOS DRÁVIDAS NUM CONCEITO MAIS ATUAL e TOTALMENTE NOVO

Por: Chandra Veeresha e Anand Milan.

Durante muitos anos defendemos o Tantra tradicional com “unhas e dentes” e ainda o aceitamos e praticamos em nossa vida. Entretanto, pela dificuldade que o buscador ocidental tem hoje de acessá-lo e compreende-lo em essência, sentimos a necessidade de readaptá-lo. As coisas simplesmente foram acontecendo e foi então que surgiu este novo conceito. Como nosso objetivo nunca foi criar uma nova cultura, nós mantivemos o que consideramos mais importante da essência tântrica e tradição. Algumas práticas tântricas nos permitiram com o tempo, perceber este mundo e os outros mundos, canalizando e intermediando as mentes de grandes mestres tântriicos que passaram por este Planeta. Foi exatamente assim que este conceito surgiu. Por meio de contatos com as mentes dos mestres espirituais da egrégora tântrica.
O conceito de “Tantra Universal” trata-se de uma compreensão que tivemos, (através de anos de estudos, pesquisas e principalmente de experiências com o Tantra e outras culturas milenares de autoconhecimento) que mantém a base tântrica (a mulher como centro de tudo; o apontamento de que todos já somos iluminados; o corpo como primeiro degrau através do qual vivenciamos todas as experiências tântricas; a energia Kundalini como manifestação da Mãe Divina; os princípios Shiva e Shakti; (masculino e feminino) os conceitos éticos e a compreensão de que tudo é sagrado, porém sem divisões e de uma forma a reintegrar o “branco” com o “negro”, visto que em nossa compreensão o Tantra é Unidade e sendo “Uno” jamais pode ser dissecado ou dividido.
O momento é de Unidade. Não dá mais para pensar nas coisass e nas pessoas de forma separada.

“O preto não existe sem o branco e o branco não existe sem o preto”.
Ambos provem da mesma energia; da mesma essência. E essa essência para nós, é Tantra. Não as práticas, não as técnicas, não as regras, mas, a essência.Sendo assim, livre de paradigmas o Tantra aceita e abraça várias culturas que apontem para o autoconhecimento e/ou que utilizam o corpo como “ponto de partida” como Yoga, Vedanta, Taoísmo e Xamanismo.

Pense na essência de cada uma dessas culturas e em seus apontamentos. Não pense no Xamanismo, por exemplo, como um “Ritual de Cachimbo”. Talvez o ritual de cachimbo perifericamente nada tenha a ver com Tantra, mas é a essência dele que “pode ou não” se relacionar com o Tantra. Se voce conseguir enxergar essas possibilidades, está começando a compreender nossa proposta e o porquê de a denominarmos “Tantra Universal”.

O fato de algumas dessas culturas não aceitarem o Tantra (veja bem, “aceitarem”, pois até religiões cristãs tem práticas tântricas e não sabem ou fingem não saber), em nada nos impede de aceitá-las.

E podemos ir mais longe, tendo o corpo como base, o Tantra Universal também aceita práticas e técnicas modernas como: Bioenergia, Biodança, Gestalt etc.
É claro que há energias e egrégoras que não se misturam, mas a fim de evitar cometer erros grotescos, ou mesmo, conseqüências “desagradáveis”, antes de apresentar nossa visão de Tantra Universal, experienciamos a mesma em nosso dia-a-dia e até com pessoas que nem imaginavam “fazer parte de uma experiência tão grandiosa”.

Na nossa visão, o Tantra Tradicional está muito além do alcance das nossas mãos e muitos iniciantes no “caminho” acabam desistindo e se desestimulando, tamanha a dificuldade de acesso às práticas e escrituras, enquanto que o Neo Tantra (estilo de Tantra difundido pelo Líder espiritual, Osho e seus discípulos) vem se alastrando pelo Ocidente e se transformado em promiscuidade e permissividade.

A forma com que Osho apresentou o Tantra permite infinitas interpretações e cada um, segundo a sua compreensão, a retransmite como lhe convém. Muitos vem utilizando a energia sexual de forma indulgente e irresponsável, sendo que seu próprio Mestre os orientou sobre o mal uso de suas energias e sobre as conseqüências geradas. Sabemos que há muita gente séria, mas a associação que o Ocidental faz do Tantra como sinônimo de Sexo, se deve principalmente às pessoas que leram meia dúzia de seus livros e à eruditos que vêem seus ensinamentos de forma filosófica, mas que raramente se entregaram às possíveis transformações das meditações ativas.

Mas é compreensível tanta confusão em torno do Tantra e do Sexo. Muitas culturas e tradições abominam o contato físico e sexual, enquanto que o Tantra (e suas ramificações) é a única que aceita o corpo e sua sexualidade. E mais, utiliza-o como alavanca para a conexão com a Consciência Cósmica.

O Tantra é ciência disfarçada de arte, que aponta para o reconhecimento de quem somos; da nossa essência e que nos dá métodos reais para reconhecermos isso.
No trato com as mais variadas pessoas e através de muita observação que (mesmo Iniciados como Sacerdotes de duas tradições tântricas antiguíssimas como o Aghorá e o Kaula) e mesmo tendo lido, estudado, e praticado as mais variadas meditações ativas e passivas, percebemos a necessidade de tornar o Tantra mais próximo da realidade da maioria das pessoas, sem dessa forma, “dar pérolas aos porcos”. E é esse modelo simples de apresentação do Tantra que denominamos Tantra Universal. Como já foi dito, o Tantra Universal é uma forma antiga que engloba várias formas. Não se
trata “de nenhum método ‘invencionista” sem fundamentos, mas de uma compreensão que deve ser passada adiante.


“O chamado, o qual, por diversas vezes relutamos em aceitar, é mostrar que o Tantra pode sim ser um caminho leve, sem dessa forma, se tornar estreito”.(Chandra Veeresha)

O Tantra Universal é muito simples. Sabemos que a mente está acostuma
da a coisas complicadas, mas nesse caso, a fragrância da simplicidade com certeza será um “divisor de águas” na vida de todos aqueles que tiverem uma “busca” sincera no Tantra Universal. O mesmo é ritualístico para aqueles que precisam do ritual para se sentir deuses e deusas e não ritualístico para os que todos os dias, devotam sua vida ao reconhecimento de sua essência e ao amor pelo próximo (os que vêem a vida como um ritual) Então, o Tantra Universal não é uma coisa só. São muitas coisas e, é coisa nenhuma!

Mas para facilitar, reunimos alguns princípios utilizados
pelo Tantra Universal:

1- A união das energias masculina e feminina externa e/ou internamente (Yang
e Yin/Céu e Terra/ Shiva e Shakti/Branco e Negro) como forma de reconhecer a Unidade;
2- O conceito do Sagrado em tudo, Do sexo ao Samadhi (Iluminação);
3- A utiização do templo físico como templo da alma;
4- Adoração Feminina e a Visão da mulher como iniciadora do amor;
5- A utilização da Energia Sexual Canalizada como meio de Transcendência da Mente/Ego;
6- A compreensão dos cinco elementos dentro e fora de nós;
7- Conceitos éticos como desapego, respeito ao próximo e passividade;
8- Honra e amor pela natureza e pelo natural;
9- A utilização de técnicas ancestrais (sejam tântricas ou não) visando o autoconhecimento;
10- A experiência da Vida e da Morte;
11- E alguns outros não menos importantes.

“Foi justamente horas andando, horas rastejando e oras levitando no caminho dos extremos que percebemos a leveza do meio”. (Chandra Veeresha)

Artistas vão se ver no Tantra Universal, também os artesãos, os dançarinos, os mais amorosos e também os inteligentes. Na realidade, os povos dravidianos (tântricos) adoravam artesanatos, música, dança e teatro. Então, estamos resgatando tudo isso e ao invés de dizer que estamos “ampliando” (o que seria prepotente demais de nossa parte), preferimos usar a palavra “reunindo”. Sendo assim, o Tantra se torna realmente terapêutico; medicinal; uma cura para uma sociedade de pessoas reprimidas e/ou indulgentes. A cura que começa por onde a maioria está. No corpo.

Mas ainda assim, nem todos se encontrarão nos apontamentos do Tantra Universal e é só uma “experiência mais profunda” que lhes permitirá descobrir isso. O importante é que o amor seja o nosso guia nesta “Era de Ferro” e nossa contribuição (cuja proporção ainda desconhecida) é justamente auxiliar no desabrochar desse amor.





Como é visto o sexo no Tantra Universal?

O sexo por várias gerações vem sendo visto como uma coisa suja e feia. Ora, aqueles que vêem o sexo como uma coisa feia se esqueceram de que nasceram através dele?
Dizer que o sexo é uma coisa suja e feia é o mesmo que se considerar sujo e feio.

Toda a confusão da mente está aí. Por considerar o sexo como o pior dos pecados, o homem (aqui me refiro ao ser humano) ao mesmo tempo em que o nega, o venera. Ao mesmo tempo em que tem medo, tem curiosidade por ele. Sim, isto se deve pelo fato do “proibido”. Sabe aquela famosa frase: Tudo o que é proibido é mais gostoso? É verdadeira.

Para nós, o sexo não é um pecado, mas não é o fim em si mesmo. Existem muitas coisas maravilhosas a serem concebidas que o sexo pode proporcionar. E não estamos falando de prazeres, ejaculações e orgasmos. Isto pode ser bom, mas ainda está muito, muito aquém...

Referimo-nos ao contato consigo mesmo através do outro, do compartilhar que o sexo pode proporcionar, quando feito com amor e sinceridade (e não como uma forma de aliviar as tensões), dos momentos em que simplesmente entregues dos braços do (a) amado (a), podemos transcender o que falsamente chamamos de nossa “realidade”; às inúmeras possibilidades que o sexo nos oferece de meditação, de entrega e devoção.


“Pelos mesmos atos que criam escravidão para os seres dualisticamente inclinados, uma pessoa pode ser liberada deste mundo. O princípio básico é que o ato deve ser acompanhado de não dualismo entre razão e emoção”.(Advayasiddi)


Toda a idéia de renunciar ao corpo em benefício da alma é, na visão tântrica, um empenho sem esperanças. Será por isso que hoje existem tantos estupradores, maníacos, pedófilos? Já pensou nisso? Tudo o que é reprimido em algum momento vem à tona. O caminho do amor tântrico abrange todos os aspectos (mente, corpo e espírito), visto que é tudo uma coisa só e é dessa forma, que o tantra o conduz a uma experiência de êxtase cósmico através da Consciência do Ser Universal nos dois parceiros. O que talvez impeça em voce, estas percepções não é o sexo, mas como sua mente está em relação a ele. É ela quem precisa aprender a distinguir o que é natural do que é antinatural. As necessidades sexuais devem ser encaradas com bom senso e consciência, pois ao encararmos as mesmas com indulgência, perdemos a capacidade de compreender o que é necessidade real.

“Quando existe apenas prazer mundano, não há libertação. E quando existe apenas libertação não há prazer mundano. Porém tanto o prazer mundano como a libertação estão ao alcance daqueles devotados ao Ser Superior”.(Kaularahasya)

A visão do Tantra Universal é de que o sexo pode ser holisticamente saudável, ou seja, algo que vai muito além do corpo, e que pode transformar tudo à nossa volta. Consideramos a importância da união Shiva e Shakti (masculina e feminina) capaz de proporcionar a união Shiva e Shakti interior. Aliás, este é o principal objetivo do Tantra Universal no que confere ao sexo. Auxiliar na descoberta individual de que nada é profano, pois até mesmo do inferno, pode-se alcançar as estrelas e reconhecer o Uno em cada ato amoroso.

O sentimento erótico é completamente bem vindo, pois ele é evocado através dos sentidos físicos e quando canalizado, eleva as chamas do fogo interno e leva à experiência do êxtase. Mas é importante para o praticante entender que nenhuma motivação egoísta deve estar presente durante o ato de amor, mas sim o desejo de alcançar ideais espirituais, que nos libera dos karmas e da Roda do Samsara (nascimento e morte). Então, o mesmo torna-se senhor dos desejos e mestre do seu próprio destino.

O sexo, da forma encarada pela sociedade tornou-se uma barreira difícil e até mesmo impossível de se vencer pelos meios convencionais. Daí, a compreensão do Tantra em sua versão Universal. E tanto suprimir, quanto usar a energia sexual de forma irresponsável causa danos e doenças às pessoas e à energia do Planeta

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